sábado, 30 de setembro de 2017

                                                   
             








                           


                     Quando você vê um Dominguinhos chorando com saudades de sua terra; Quando pára para ouvir as toadas do Nordeste você, talvez, compreenda o amor de seus filhos por este pedaço de chão seco e esturricado, mas generoso no verde. Até o gado solta cabriola no pasto; O canto do galo é mais garrido, o pio do urutau, menos agourento; A seca não mata o nordestino, mas tente silenciá-lo,  e verão um morto. De tristeza. Banzo agreste deste Nordeste. A terra explica o homem. Cangaço, só o Nordeste tem. Calam o homem, falam carabinas, gritam Virgulinos. América não vai, acoita, apenas. Não foi Roberto Carlos, irá um dia?

sábado, 24 de junho de 2017

MARIA BONITA

   





















                                           América sonhava. Sim tinha  um sonho. Conhecer Maria Bonita e Lampião. Alguém já lhe dissera que ela era mais bonita que Maria Bonita e seria um perigo se o capitão se apaixonasse por ela. Não estava interessada na pessoa dele, admirava-o por seus atos, mas não o achava charmoso e muito menos bonito. Sabia, por isto, que Maria Bonita não iria sentir ciúmes dela. Seriam muito amigas. Não queria, porém, integrar o bando. Não se via uma cangaceira. Gostava de vida arriscada, mas gostava também de conforto, de vida social. Frequentava todas as festas de Mairi e da vizinhança. Várzea da Roça, Várzea do Poço, Orobó, Capela e Pintadas e todas outras. Foi mesmo numa missa que conheceu seu marido. Sonhara com ele antes de conhece-lo. Diz o povo que se alguém pegar um objeto qualquer, antes de uma estrela cadente sumir e colocá-lo debaixo do trabesseiro, sonhará com o homem com quem vai-se casar. Pois, com América assim foi. Pegou uma pedra enquanto uma estrela caía, pô-la debaixo de seu travesseiro e sonhou com um homem desconhecido. Este terminou por ser marido. Foi em uma missa em Aroeira. A igrejinha estava cheia, pois haveria naquela missa, batismos e casamentos. Uma cavalhada estava chegando do Canto. O povo do Canto era famoso em cavalhada e casamentos suntuosos. Inúmeros cavaleiros e cavaleiras montam garbosos cavalos, ricamente arreados para acompanhar os noivos.  Quantos mais cavalos mais importante era o casamento. Quando se ouviu o tropel dos cavalos quem estava na igreja saiu, das janelas e portas surgiam pessoas de todas as idades. No meio de tantos cavaleiros, America viu, montado em lindo alazão, um homem moreno, de bigode bem aparado, porte majestoso que o distinguia dos demais cavaleiros. Trocaram um olhar. America deixou cair uma flor de seu cabelo. O cavaleiro aproximou-se e sem apear colheu a flor e a entregou a América. Nem uma palavra entre os dois. Nem mesmo um agradecimento da parte dela. Seu rosto corou e todos olharam para ela. Soube depois se tratar do maior amansador de animais da região. Não só isto. Sabia cantar como ninguém. Bom de viola, de pandeiro, de cuia e prato.                              

quinta-feira, 18 de maio de 2017

CANTAR SEM TEMER























                                 Euclides da Cunha sem ser nordestino contou o sertão baiano como quase nenhum outro contou. Mas se Euclides conta o nordeste de maneira cientificista foi preciso nascer na Bahia um trovador capaz de cantar em versos, à maneira quase medieval, a saga baiana, já no final do século vinte e  limiar do século vinte e hum. Falo do malungo Elomar, cantador de trovas e martelos, já correu o mundo inteiro, inté cantou na portas de um castelo de um rei chamado João. O rei queria que ali ficasse, ele disse, não. Prele, cantador e violeiro só três coisas contavam neste mundo vão. Viola, forria, amor. Dinheiro, não. "Mana, vem ver., os sapinhos tão cantando, tiranas do bem-querer";

                                   Ora, Yê Yê, Oxum, linda Uyara,  de verde e negros pêlos, Vós, Rainhas das Águas de meu sertão, dai-me uma fúria grande e sonorosa, para cantar sem temer as coisas de meu sertão; Dai-me igual canto aos feitos da famosa gente sertaneja.

                                       
                                    

sábado, 25 de junho de 2016

SAMBA DE REIS E CHULAS










                                          Roberto Carlos, carinhosamente chamado de Betinho, apelido de infância, era chegado a um samba de reis. Corria três freguesias com seu paneiro afinado para cantar sambas, chulas, batuques e martelos. Fazia dupla com qualquer cantador, na primeira ou na segunda, era ao mesmo tempo baixo, barítono e tenor, embora não tivesse muita consciência destas qualidades vocais e muito menos de suas diversas classificações e técnicas. Tocava da cuia à viola e era bom no repique das palmas. Eu vou, eu vou, que mandaram me chamar. Me dê uma lima da limeira de teu pai.
                              Sambas existiam o ano inteiro, mas de dezembro a janeiro é que choviam convites paras festas reis, comemorado no dia 6 de janeiro, mas que a população estendia por dois meses, celebrando o que chamavam Deus Menino.
                               Um dia chegaram cantando lá em casa, de supetão, sem ninguém esperar. "Oh de casa, Oh de fora, `se menino vai ver quem, são os sambadô de Reis, e quem mandou foi São José"





sexta-feira, 24 de junho de 2016

UM CABA DESTEMIDO













                                    Roberto Carlos não tinha medo de morrer. Quem diria que um dia morreria numa cama fétida do Hospital Irmã Dulce! Até enfrentara Lampião. Dizem, certa feita Lampião o convidara para entrar no cangaço e ele se negou. O capitão se zangou,não era homem de aceitar desfeita, mas lhe disse que o dispensava se ele pulasse a porteira de um salto. Só se o senhor me der distância, capitão. Tome a distância que quiser, se não pular, morre.
             Roberto, caba destemido, deu vinte  passos para trás, tirou o chapéu, consertou as calças e partiu em abalada, a menos de um metro fez o salto, suplantando a porteira sem a menor dificuldade. O capitão ficou boquiaberto, mas não teve nem tempo de admirar o feito. Roberto, de costas, deu salto mortal e pulou a porteira de volta.
          Contam os matutos que Lampião tinha medo de pessoas mais valentes ou mais destras do que ele. Não se tem certeza disto, mas o fato é que Roberto Carlos, fora dispensado de servir ao cangaço, prova de que o capitão mantinha a palavra dada. Tempos, aqueles tempos, quando o dito valia mais que mil documentos. Hoje, nem uma sentença é definitiva, porque os juízes mudam mais de opinião que camaleão mudam de cor, sem contar nos que vendem, descaradamente, suas sentenças para obedecer a interesse financeiros e políticos,que dá no mesmo, posto que a política que deveria ser a arte de governar as pessoas, passou a ser uma profissão rentável, tão rentável quanto o futebol e a música popular. Vejam como jogadores, palhaços e cantores viram políticos. Tempos heroicos no qual se lavava a honra com o próprio sangue.
             Roberto Carlos, seu nome é uma homenagem. A seu bisavô que se chamava Ruperto, mas que o populacho chamava de todo jeito: Ruperte, Ruberte, Roberte, Roberto. Na briga, na hora de registrar, ficou Roberto. Duas regras existiam para se nomear um filho. Primo, colocar o nome de um parente, seguindo a maneira portuguêsa; Doi, o nome do santo do dia do nascimento. Nascera em 4 de novembro, dia de São Carlos Borromeu, um nobre milanês, feio como um cão danado, sobrinho do Papa Pio IV, por isso, feito cardeal aos 23 anos, mesmo antes de ser padre, uma das imoralidades da Igreja. Também houve briga na família pela homenagem ao santo, e,  para satisfazer a todos registraram-no Roberto Carlos, homenageando-se, assim,  o bisavô e o santo,fez-se a paz na família. Não, porém, o único, na família teve muitos, talvez, desta vez, mais em homenagem a ele, do que ao patriarca e ao santo, que diziam em tom de troça o santo borrado.
             Cresceu ao cantos de galos na madrugada, o piar das corujas, chacoalhar do gado no curral,fazendo parede e meia com o oitão da casa e o canto dos pássaros do amanhecer ao anoitecer. À noite ouvia o som do pandeiro do pai acompanhando o repicado da viola do tio, cantando chulas, ensaiando batuques. Um dizia um mote o outro respondia, e depois os dois cantavam em dueto. Ouvindo-os, relembrava o som das palmas em uníssono e em contratempo, a cuia estridente e o prato arranhado, à reco-reco da ultima festas de reis. Eu conheço a cor da água, nunca vi a cor do vento... Sem as mãos não bate palmas, eu nunca vi rastro de almas, nem couro de lobisomem... Uma infância como qualquer outra do sertão, curtindo o frio do inverno, a seca do verão,comendo requeijão quente feito pela mamãe, rapando o tacho do pão de ló. Boa a massa do ovo na manteiga e mel.                






quinta-feira, 19 de maio de 2016

OURISSANGA - PONTA DA SERRA












          

                                                   
                Enquanto isto, lá prás bandas da Ponta da Serra, n´Ourissanga, os cabras de Lampião, acoitados na fazenda de Zulé, planejavam invadir Monte Alegre para dar uma surra no Coronel Pedreira por ter denunciado à Volante sua presença nas redondezas, o ano passado, o que causou uma baixa muito grande nos seus cabras, ocasião na qual perderam Fífó, Cassutinga, Aimpim Brabo e outros cabras de  valor. Fora numa quinta-feira. Forrozavam no pé da serra. Estavam tão acostumados com a tranquilidade do lugar que já brincavam desarmados e às vezes, exageravam na bebida, coisa que não acontecia em outros coités, quando, prevenidos, dançavam como se estivessem indo para a guerra. Pois, neste dia, os meganhas chegaram de improviso, atirando para todos os lados. Quando os cabras acordaram para o que estava acontecendo, já havia morrido gente, tanto cabras quanto pessoas que acorriam a estas festas para se distrair, por falta de opção de outros lazeres. Ainda assim, resistiram e obrigaram a Volante a recuar, fugir. Hoje, estão de volta, mas para se vingar do coronel linguarudo, do que por outra coisa. Estavam ali, sob as ordens de Corisco, pois lampião ficara pras bandas do Orobó. América os informara. Foi coronel Pedreira o denunciador. Ele não perde por esperar, dissera Virgulino, o capitão, rei do cangaço, cuja promessa nunca é esquecida. Podiam passar os meses, os anos, mas o capitão voltava. Não para fazer atrocidades como  faziam a policia e os capangas dos coronéis, mas para cobrar justiça. Lampião se vingava dos coronéis que ele considerava mal, tirando-lhes bens e mantimentos para dar aos necessitados. Por isto, talvez, tenha Lampião resistido tanto às investidas da Volante e dos capangas dos coronéis. Roubar dos ricos para dar aos pobres, lema do cangaço, por isto mesmo era combatido pelos senhores da terra. Um para a paz social, diziam, agrediam o direito de propriedade. 
                         

terça-feira, 10 de maio de 2016

A QUINTA
















A quinta ficava cerca de uma légua da cidade, na estrada que lhe dava acesso pelo Corre-Nu, bairro nobre da cidade, que tinha este apelido em razão de, quando ainda em formação, ser local de encontro de namorados, quando certa feita, um pai procurando por sua filha, flagrou-a nos braços de um mancebo, nus como os índios paiaiás, que um dia correram  aqueles campos atrás de pacas, tatus e outros bichos.
Era uma quinta porque não se podia chamar de fazenda aquele sítio de poucas tarefas onde se lavrava a terra, plantando-se legumes, grãos, raízes, nela existindo apenas,  umas poucas vaquinhas para o leite do dia dia.
O prédio, uma construção de duas águas tinha além dos dois quartos, um celeiro, que se chama dispensa,  para mantimentos e depósitos de ferramentas, onde se amontoavam celas, alforjes, bridas, etc.
À direita um pequeno curral de travesseiro de boa madeira que não se encontra mais, hoje em dia e, à esquerda,  um pequeno aprisco e chiqueiro para ovelhas.
Neste exato momento, vê-se a porta da varanda  aberta e duas pessoas, um homem e uma mulher se despedindo.
Em seguida. o homem dirigiu-se ao mourão no terreiro,  onde estava amarrado seu cavalo e montou-o virando para a mulher que lhe acenava.  Enquanto isso, Ruperto   tinha conseguido se aproximar sem ser visto e  tão logo aquele cavaleiro sumiu na curva, deu um salto sobre a mulher de punhal nas mãos, mandando-a que ficasse calada e quieta. Ela não se mostrou surpresa, mas calma.
- América Brasileiro?
- Sim, senhor, disse.
Ruperto empurrou-a para dentro, sempre com o punhal ameaçador.

- Você pode provar?
- Claro. Sem o menor pejo, abriu sua blusa, mostrando-lhe  os seios, lindos, como nunca vira antes.
Ruperto viu, então aqueles seios envoltos em cicatrizes de riscos feitos de punhal. Mandou que se vestisse e ela o fez com a mesma calma com que se despira.
Se não era bonita, não se podia chama-la de feia.  Uma boca pequena proporcional ao rosto, um tanto ovalado; Seus dentes eram bem feitos, dando-lhe um ar brejeiro. Tinha uma covinha na face e os cabelos castanhos.
- Não é um pouco suspeito a visita  de um cabra a estas horas? Pode me explicar?
- Com todo prazer. Como  queria  a volante que eu colhesse informações dos cangaceiros se não estiver sempre com as portas abertas para qualquer um deles?
Ruperto fixou os olhos no mel daqueles olhos, e de chofre perguntou.
- Que dizem os cangaceiros destes sinais?
Com serenidade disse:
Os cabras nunca chegaram a vê-los, embora tenha tido dificuldades em resistir aos mais afoitos. Talvez me matasse antes, talvez não, quem sabe como se comportar num momento deste? Se fosse fácil não haveria erros no mundo. De qualquer modo, os cangaceiros não são obcecados  por sexo, mas por justiça, assim me dizem, e parece ser verdade.
Mais que arrependido, Ruperto lhe afirmou:
- Não tardará a ser livre deles, América, Lampião e seus grupos estão cada dia mais fácil de cair em nossa rede, até mesmo os maiores coiteiros   já estão convencidos disto.
- Eu, por mim, nem mais me importo com nada, a esta altura de minha vida.
-Se já não importa por que continua lutando?

- O uso do cachimbo faz a boca torta, sorriu. Estou cansada; quatro anos que mataram meu marido e me torturaram. Posso até esquecer meu marido, mas, cicatrizes? Diga,  você não veio aqui para saber de meus sentimentos?
- Não, não foi para isso, e acariciou o cabo do seu punhal que tinha colocado na bainha, presa à cintura.
- Posso lhe fazer um café? Ou quer um chá de alecrim vaqueiro? É muito bom e reconfortante.
- Não, nem um,  nem outro. Estou um pouco preocupado com as informações desencontradas ultimamente.
Pela primeira vez, ela lhe sorria, como velhos companheiros.
- Eu continuo na minha luta, mas confesso que é difícil confiar tanto num lado, como no outro. Com as atrocidades cometidas pela volante e tropas do governo, os cabras se tornaram astuciosos, e, com certeza não perdoam um traidor. Um traidor é um traidor, ninguém sabe que lado ele está traindo. Hoje é difícil colher informações dos planos dos  cangaceiros, visto que se dividem em grupo e subgrupos, muitos dos quais não se sabe nem que Lampião tenha alguma influência sobre eles.
- É, disse Ruperto, penso que você já está farta de tudo isto, sentindo-se vigiada por todos os lados. Vou arranjar um jeito de lhe tirar daqui.
- Sempre a mesma história, quando não se é mais útil, descarta-se, disse América, rispidamente.
- Não é bem isso. Uma mulher bonita como você terá boas oportunidades em Salvador. O governo pode-lhe arranjar uma boa colocação como prêmio por sua contribuição à nossa causa. Mas, entenda, ainda precisamos de sua ajuda.
Como posso  servir, desta vez?
- Fácil, quero apenas um nome, América. Entre nós há um traidor e precisamos descobrir quem é.
- É assim que o trabalho é fácil. Pimenta nos dos outros é refresco. Por que logo eu?
- Você é de nossa inteira confiança; Eu é que não posso sair por aí procurando um traidor. Seria trucidado. Você sabe a raiva que o povo tem da polícia.
- Não sem pouca razão. Cangaceiros, capangas, volante, polícia, todos animais. Talvez até a polícia seja a pior de todos porque encobre seus crimes debaixo da farda.

O homem ficou  estupefacto  com a sinceridade da jovem, mas compreendeu aquele momento de desabafo.
- Quando me mandaram para cá, me preveniram de sua beleza, de sua altivez, de sua inteligência, disse sem esconder  um certo interesse nesta mulher tão atrativa.
- Por que você, não me abordou com uma pistola, mas com um punhal?
- Justamente para não parecer um policial, como qualquer bandoleiro, como você há pouco falou, sorriu de maneira tão franca que a América lhe pareceu um homem diferente dos que já havia encontrado.
- Você poderia me dar um tempo para que possa descobrir quem é esta pessoa?,  perguntou  Ruperto.
- O mesmo tempo que tenho  para viver porque nem sei se acabo de completar esta frase.
- Resposta inteligente, mas fique sabendo que a polícia tem pressa, que o governo tem pressa, ajuntou Ruperto.
- Nós nos encontraremos de vez em quando na igreja. Você sabe que o vigário está com a gente. Eles não são bestas. A igreja sempre está do lado do poder.
- Combinado, disse América, sempre na igreja, pelo menos por enquanto, porque devo lhe dizer que  não gosto muito de padres, sujeitos enxeridos, metidos a saber de tudo, quando nada sabem.
- Bem até a vista, mora sozinha neste ermo?
- Não é tão ermo. Tenho meus cachorros, meu gado e alguns parentes que me visitam de vez quando.
Ele quis se insinuar, mas ela o enfrentou de forma tão altaneira que ele se sentiu intimidado.
Ela não deixou de reparar nele um homem bonito e perigoso. Estatura mediana, mas esguio. Era, entretanto, um policial. Agem como autômatos, sem dó e sem compaixão quando querem atingir um objetivo. Foram treinados para isso, não para ser gente, incapazes de amar quem quer que seja.


A vestimenta era a mais banal possível, dizia que para não chamar atenção. Não ia à delegacia local e passava-se como um mascate, vendendo produtos da capital, tanto que os da cidade passaram a lhe chamar de o turco, o sírio, o libanês, tudo servia para alcunha-lo, posto que  maioria  dos mascates  era   destas nacionalidades. Saíam de cidade em cidade, tal como os ciganos, levando novidades, modas e os mexericos da capital.