sábado, 23 de dezembro de 2017

DIABO LOIRO SOU EU















                                                 Onde estás agora, Diabo Loiro? Teu olhar coriscava o sertão, tua lança chameja nas noites secas, onde se ouve o silvo do bacurau. Vingastes  teu amigo, Lampião? Como é difícil vencer as forças da opressão. Morre-se, outros virão, com outra cor, o mesmo coração.
                          Cristino Gomes da Silva Cleto é o meu nome, Corisco para o mundo. Não sou, nem nunca fui bandido. Você acredita mesmo nesta versão? Eles são donos do poder, o que dizem passa ser verdade. Quem é louco de desmenti-los? Quem o faz é trucidado. A mentira repetida, será verdade. Eles sabem disto. Tu não os contesta.
                         Estava deixando o cangaço, não por covardia, por cansaço. Cansaço. Era traição por cima de traição. Estava em Barra do Mendes, quando eles chegaram. Como sempre covardes, desleais e corruptos. As volantes nos deixavam em paz, quando lhes davam dinheiro, nem sempre a gente tinha dinheiro para lhes dar, então se tornavam ferozes.